Вторник, Июль 13th, 2010 | Author: admin

Rio – Depois de uma semana em que as chuvas levaram encostas, casas e vidas, o carioca vê nas águas mais um motivo de preocupação, mesmo com a volta do sol: novos focos do mosquito da dengue. Denúncias enviadas por leitores a O DIA apontam para enormes criadouros em diversos pontos da cidade, do Méier ao Caju, passando por Riachuelo e Estácio. As queixas relatadas ao jornal têm em comum o fato de que o poder público, embora frequentemente avisado, nada fez para resolver o problema.

O prédio da extinta TV Manchete, no Estácio, preocupa a direção do Colégio Vitória. Para fugir da dengue, professores trancam as salas, mesmo no verão | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia

A professora Maria da Graça Marques, 58 anos, já contraiu o vírus duas vezes por causa de um terreno vizinho à sua casa, na Rua Vítor Meirelles, no Riachuelo. “Pegar dengue pela terceira vez é inadmissível. As janelas estão sempre fechadas, senão vem aquela nuvem de mosquito. Gastamos duas latas de inseticida por semana!”, conta ela, que em anos de reclamação nunca recebeu a visita de agentes de saúde.

De onde mora, no Méier, o aposentado Arnaldo Fontes, 82, vê pelo menos três potenciais criadouros, que já levaram muitos moradores da rua ao hospital, com dengue. “Já chamei a Vigilância Sanitária, as secretarias de Saúde e a 13ª Região Administrativa, mas ninguém resolve”, reclama.

No Estácio, o antigo prédio da TV Manchete, hoje abandonado, é berço de mosquitos que infestam o Colégio Vitória. Todas as salas têm frascos de repelente e spray. “Está fora de controle. Já tivemos alunos que foram parar na UTI com dengue. E o poder público não faz nada”, aponta a estagiária em Pedagogia Shirley Bastos, 43.

No Cemitério do Caju, onde foram enterrados parentes da dona de casa Lucia Felippe, 64, a situação é pior. Para chegar ao túmulo do ex-marido, ela tem de pular poças, se escorar em túmulos e se cobrir de repelente. “É tanto mosquito que nem a boca eu abro”, afirma.

Depósito para material de construção (ao fundo),no Riachuelo, assusta a professora Maria da Graça Marques, 58. Ela já contraiu dengue duas vezes | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o endereço do Riachuelo não consta em seu cadastro e que não há previsão de vistorias no local. O órgão acrescentou que agentes foram barrados por invasores no antigo prédio da Manchete, no Estácio. Já o Méier e o Cemitério do Caju recebem visitas e tratamento regularmente.

“É indispensável a realização de vistorias constantes por parte do poder público. Quando isso não acontece, é preciso denunciar”, alerta o chefe do Departamento de Virologia da UFRJ, Davis Ferreira. Segundo o governo do estado, 32% da área da capital tem alto risco de infestação. Até o fim de fevereiro, o estado registrou 636 casos.

Source: http://odia.terra.com.br

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